Ao planejar a primeira contratação, todo empreendedor se pergunta: “quanto custa um funcionário que ganha R$ 4.000 para a empresa?”. A resposta vai muito além do salário combinado na entrevista. O custo real de um funcionário, conhecido como “custo empregador”, é composto pelo salário bruto mais uma série de encargos sociais, tributos e benefícios obrigatórios e costumeiros. Subestimar esse valor é um dos erros financeiros mais comuns que podem comprometer o fluxo de caixa de um negócio em crescimento. Neste guia detalhado, vamos fazer as contas exatas e mostrar, item por item, quanto custa um funcionário que ganha R$ 4.000 para a empresa, transformando esse valor de salário nominal em um custo total mensal transparente e previsível.
O Salário de R$ 4.000 é Apenas a Ponta do Iceberg
É fundamental entender que quando um funcionário combina um salário bruto de R$ 4.000, a empresa não desembolsará apenas R$ 4.000 por mês. O custo total é formado por:
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Salário Bruto: O valor base da remuneração (R$ 4.000).
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Encargos Sociais e Trabalhistas Obrigatórios: Impostos e contribuições previdenciárias que a empresa é obrigada a recolher.
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Benefícios Obrigatórios por Lei: Como o 13º salário e as férias.
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Outros Encargos e Benefícios: Custos com segurança no trabalho e benefícios comuns como vale-transporte.
Vamos destrinchar cada um desses itens para calcular precisamente quanto custa um funcionário que ganha R$ 4.000 para a empresa.
Cálculo Passo a Passo: De R$ 4.000 Brutos ao Custo Total Real
Vamos considerar um funcionário CLT, com salário bruto de R$ 4.000,00, trabalhando 44 horas semanais, sem horas extras.
1. Encargos Sociais e Tributários Obrigatórios
Estes são os custos que a empresa tem que pagar por lei, além do salário.
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INSS Patronal: A contribuição previdenciária da empresa. A alíquota é de 20% sobre o salário bruto.
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Cálculo: R$ 4.000,00 x 20% = R$ 800,00
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FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço): O empregador deve depositar mensalmente 8% do salário bruto em uma conta vinculada ao trabalhador.
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Cálculo: R$ 4.000,00 x 8% = R$ 320,00
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Seguro contra Acidentes de Trabalho (SAT): A alíquota varia de 1% a 3% conforme o risco da atividade. Vamos considerar a taxa mínima de 1% para um exemplo de baixo risco.
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Cálculo: R$ 4.000,00 x 1% = R$ 40,00
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Subtotal de Encargos Obrigatórios Diretos: R$ 800,00 + R$ 320,00 + R$ 40,00 = R$ 1.160,00
2. Provisões para Benefícios Obrigatórios por Lei
O 13º salário e as férias não são pagos apenas em dezembro e no período de férias. Empresas bem organizadas provisionam (guardam) esse custo mensalmente para não ter um impacto grande em um único mês.
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13º Salário (1/12 avos por mês): R$ 4.000,00 / 12 = R$ 333,33 por mês
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Férias + 1/3 Constitucional: O custo das férias equivale ao salário de um mês mais 1/3 (33,33%). Portanto, R$ 4.000,00 + R$ 1.333,33 = R$ 5.333,33. Provisionando mensalmente: R$ 5.333,33 / 12 = R$ 444,44 por mês
Subtotal de Provisões Mensais: R$ 333,33 + R$ 444,44 = R$ 777,77
3. Benefícios Comuns Oferecidos (Vale-Transporte)
O vale-transporte é um benefício de lei, mas seu custo é compartilhado. A empresa paga o valor total dos passes/vale e pode descontar até 6% do salário bruto do funcionário.
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Vale-Transporte: Supondo um custo total de R$ 300,00 com transporte. A empresa pode descontar 6% de R$ 4.000,00 (R$ 240,00). O custo líquido para a empresa é a diferença.
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Custo para a empresa: R$ 300,00 – R$ 240,00 = R$ 60,00 por mês
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Tabela Resumo: Quanto Custa um Funcionário que Ganha R$ 4.000 para a Empresa?
Vamos somar todos os itens para ter o custo total mensal médio SEM benefícios adicionais como plano de saúde ou vale-refeição.
| Descrição do Custo | Base de Cálculo | Valor Mensal |
|---|---|---|
| 1. Salário Bruto | Salário combinado | R$ 4.000,00 |
| 2. INSS Patronal | 20% sobre o salário bruto | R$ 800,00 |
| 3. FGTS | 8% sobre o salário bruto | R$ 320,00 |
| 4. SAT (Seguro Acidente Trabalho) | 1% sobre o salário bruto (exemplo) | R$ 40,00 |
| 5. 13º Salário (provisão mensal) | 1/12 do salário bruto | R$ 333,33 |
| 6. Férias + 1/3 (provisão mensal) | 1/12 de (salário + 1/3) | R$ 444,44 |
| 7. Vale-Transporte (custo líquido) | Custo total – desconto de 6% | R$ 60,00 |
| CUSTO TOTAL MENSAL PARA A EMPRESA | Soma de todos os itens | R$ 5.997,77 |
O resultado é claro: Um funcionário com um salário bruto de R$ 4.000 representa um custo total mensal básico de aproximadamente R$ 5.998 para a empresa. Isso significa que o custo real é cerca de 1,5 vezes o salário bruto (um acréscimo de 50%).
E Se a Empresa Oferecer Mais Benefícios?
O custo pode aumentar significativamente com benefícios comuns de mercado:
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Vale-Refeição/Alimentação (R$ 600 – R$ 800/mês): Adicionaria este valor integralmente ao custo.
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Plano de Saúde (R$ 250 – R$ 500/mês): Adicionaria este valor integralmente ao custo.
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Outros (Bonificações, PLR, etc.): Variam conforme a política da empresa.
Com um pacote comum (VT, VR de R$ 700 e Plano de Saúde de R$ 300), o custo total mensal pode chegar a aproximadamente R$ 7.000,00.
Impacto nos Diferentes Tipos de Empresa
O custo do funcionário é essencial para o planejamento, independente do porte:
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MEI: Só pode contratar 1 empregado, e este custo deve ser cuidadosamente avaliado frente ao limite de faturamento de R$ 81 mil/ano. Um custo de ~R$ 6.000/mês com funcionário já consome a maior parte da receita possível.
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ME e EPP (Simples Nacional): O custo com folha de pagamento impacta a alíquota efetiva do Simples Nacional, podendo reduzi-la através do fator “R”, o que é uma vantagem tributária.
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LTDA: A contratação exige um planejamento financeiro rigoroso para que a produtividade do funcionário cubra esse custo total. Para entender qual estrutura suporta melhor as contratações, leia nosso guia sobre qual tipo de CNPJ devo abrir.
Conclusão: Planejamento é Fundamental Para uma Contratação Saudável
Entender quanto custa um funcionário que ganha R$ 4.000 para a empresa é uma lição de realidade financeira para todo empreendedor. A contratação do primeiro funcionário é um marco, mas deve ser feita com base em números sólidos.
Antes de anunciar a vaga, faça as contas detalhadas:
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Some todos os encargos obrigatórios (INSS, FGTS, SAT).
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Provisione os custos futuros (13º, férias).
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Defina claramente quais benefícios você conseguirá oferecer de forma sustentável.
Essa visão completa evita que a contratação, em vez de ser um impulso para o crescimento, se torne um peso financeiro insustentável. Consulte um contador para fazer um cálculo preciso para o seu caso específico, atividade (que define o % do SAT) e sua região. Para mais informações oficiais sobre encargos trabalhistas, você pode consultar o portal do Governo Federal. Lembre-se: um colaborador vale o investimento, mas apenas se esse investimento estiver dentro da realidade econômica da sua empresa.
Planeje seu orçamento completo: Saiba qual o custo de abrir uma empresa e inclua as futuras contratações no seu plano financeiro desde o início.